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I20N - As primeiras impressões

Escrito em 22 de julho de 2021

I20N - As primeiras impressões

Já lá vão 4 anos desde que a Hyundai apresentou ao mundo o seu primeiro e, até agora, único modelo a envergar a sigla N, pelas mãos do renomeado Albert Bierman.

Agora a família cresceu com o novo I20N e nós vamos deixar-vos aqui as nossas primeiras impressões, a nossa opinião geral e a comparação com algumas das outras propostas no mercado.

 

 

Um visual… Arrojado!

É o primeiro impacto em qualquer que seja o carro de que falemos e neste caso é forte! O design exterior do I20N é arrojado e poderá não ser para o gosto de todos, a nós mudou-nos a opinião, ao vivo os ângulos e a paleta específica de cores fazem sentido, o que nem sempre acontece em fotografia, garantindo um visual “completo” e muito interessante ao modelo coreno (sim incluindo as ópticas traseira).

O menos bom? O spoiler traseiro. Não convencia em fotografia e ao vivo a perspetiva não é melhor, o posicionamento e a forma parecem despropositadas e até mesmo um acrescento “aftermarket” de gosto questionável. Uma solução semelhante à do I30N, melhor integrada na traseira do carro seria uma opção mais acertada.

 

O interior desta nova proposta da Hyundai apresenta uma qualidade de construção bastante aceitável, com alguns pontos de interesse e bem colocada no segmento ainda que não seja de todo revolucionária.

Lá dentro destaca-se, o quadrante 100% digital, à semelhança do que encontramos no Polo GTI, que alterna os mostradores mediante o modo de condução, o volante com os seletores destes modos, já conhecidos do I30N, e a adição do botão rápido de ligar e desligar o sistema “Rev Match” nas reduções de caixa, assim como os bancos desportivos com um design excelente, confortável e que nos suportam num estilo de condução mais agressivo, ainda que não tão bem como os instalados no rival Fiesta ST.

Uma nota relativa aos bancos, nomeadamente às suas traseiras, o acabamento deixa algo a desejar, sem bolsas de arrumação e com alguma falta de cuidado no seu aspeto, um contraste total com o seu inverso.

 

Indo ao que interessa, a condução.

O I20N é sem dúvida um brinquedo fantástico de levar para a estrada, apesar de o percurso de teste ser maioritariamente composto por troços de autoestrada, apenas com as rampas de acesso para podermos sentir um pouco mais o carro, conseguimos perceber um chassis extremamente equilibrado com uma afinação de suspensão no ponto certo entre conforto e performance, associados a um pedal de travão muito capaz com um feedback excelente que nos deixa prever uma boa performance numa estrada sinuosa onde a travagem seja mais requisitada.

O motor de 4 cilindros é também bastante competente, com uma sonoridade que acaba por ser afetada pela (muito falsa) sintetização no interior através do sistema de som, intrusiva e possivelmente a pior que já experimentamos num carro que, de todo, não carece deste artifício. Em termos do dia a dia é uma unidade capaz de bons consumos e modulável para o quotidiano.

A resposta do pedal do acelerador no entanto, foi algo que não nos agradou, sobretudo quando comparado com alguns dos seus rivais, não oferece uma resposta imediata aos movimentos do pé, mesmo quando acionados os modos de condução mais agressivos.

Tivemos a mesma sensação “aborrachada”  na interação com a caixa de velocidades, apesar de bastante rápida e direta não garante uma sensação mecânica nas transições,  retirando um pouco à experiencia de condução.

 

E é mesmo este último ponto que pode comprometer o novo N.

 

Em suma.

Temos atualmente no mercado um défice na oferta de Pocket Rockets, e é portanto refrescante vermos mais marcas como a Hyundai entrarem no segmento, sobretudo com uma proposta tão completa, relevante e a um preço perfeitamente adequado ao mercado.

Para os amantes da condução, o I20 destaca-se de propostas como o Polo GTI e mesmo o Mini JCW, com um propósito mais focado e responsivo, podendo ficar aquém no que aos interiores e “carisma” diz respeito.

Posto isto temos de o comparar ao irrefutável líder do segmento, o Fiesta ST, e a comparação não é fácil… Como referimos a experiência de condução do I20N apesar de excelente não nos dá uma sensação de recompensa como a que temos na proposta da oval azul, a sua suspensão e chassis equilibradas tornam-no provavelmente mais rápida no cronómetro, com uma traseira bastante menos nervosa e mais previsível sobretudo em travagens apoiadas que nos confere uma grande confiança em condução mais agressiva, no entanto são estas mesmas características pelo que o Fiesta é tão aclamado, com um chassis mais “vivo”, muito menos censurado e ligado a cada input do condutor, seja ele o mais correto ou não.

Este foco na performance cria um carro extraordinariamente capaz e com uma condução precisa e eficaz mas compromete o divertimento numa estrada de montanha que, convenhamos, é onde estes carros são maioritariamente aproveitados.

Não queremos com isto dizer que qualquer um é melhor ou pior que outro, são no entanto experiências distintas com fins distintos.

Quem fica a ganhar? Nós que temos um leque de escolha mais amplo e com mais probabilidade de encontrar o Pocket Rocket perfeito para cada gosto!